Com nomeação de dois derrotados em 2022, Elmano reforça críticas de Tasso

COMPARTILHE A NOTÍCIA

Elmano de Freitas durante audiência no Abolição: com montagem excessivamente política da gestão, o governador sinaliza a sua linha de atuação.

A cada nomeação para cargo na máquina estatal, Elmano de Freitas (PT) aparenta dar razão ao duro petardo desferido por Tasso Jereissati (PSDB). Só nessa sexta-feira, dois ex-deputados estaduais derrotados nas urnas de 2022 ganharam seus empregos.

Tim Gomes (PDT) foi para a presidência da Ceasa, a conhecida Central de Abastecimento que negocia hortifrutigranjeiros. Antes de ser deputado, Tim presidiu a Câmara de Fortaleza e foi vice-prefeito da Capital. Pertence à ala do PDT que não apostou na candidatura do próprio partido ao Governo.

Já o ex-deputado Audic Mota (MDB), outro derrotado da última eleição, vai para uma tal de Assessoria Especial do Desenvolvimento Regional do Governo do Ceará. Detalhe: Audic se orgulha de ser de ala própria do MDB. Portanto, não está sob às ordens de Eunício Oliveira, o deputado federal que comanda a sigla no Ceará. Segundo a assessoria do ex-deputado, Audic assume com “status de secretário de Estado”.

Não se sabe ao certo qual o papel da referida Assessoria. Partiu da equipe do próprio Audic que a nova pasta criada na recente reforma criticada por Tasso, “vai desempenhar papel na elaboração e execução de políticas públicas junto aos municípios cearenses, em direta sintonia político-administrativa com o gabinete governamental”. Seja lá o que isso significa.

Na semana passada, durante fala para empresários membros da AJE Fortaleza, o ex-senador por dois mandatos e governador por três foi duro na crítica ao modo Elmano de governar. Vejam o que Tasso disse:  “Projetos políticos e eleitorais cada vez mais fisiológicos…Esse negócio de mais 14 secretarias… Algumas coisas, que nem os coronéis faziam, estão sendo feitas agora”, disse.

Nos bastidores, é crescente o pessimismo em relação ao desempenho de Elmano de Freitas. Nomeações como as duas desta sexta-feira são indicativos de muita politização da gestão e, consequentemente, baixo componente técnico. Se essa for a linha, é destoante do modelo montado por Tasso ainda na segunda metade da década de 1980, que, em boa parte, perdurou até recentemente.

Ao longo dos últimos governos, a área de desenvolvimento, por exemplo, sempre foi preservada da influência política de baixo clero. No entanto, cargos como o ocupado por Audic Mota são de baixíssima influência nos rumos da gestão e são vistos muito mais como uma sinecura para promover acomodação política de aliados. No caso, uma sinecura para acomodar um opositor de Domingos Filho (PSD), de Tauá, que foi candidato a vice-governador na chapa de Roberto Cláudio em 2022.

Leia mais

+Elmano nomeia Audic Mota “assessor de desenvolvimento” junto à Casa Civil
+Tin Gomes é nomeado presidente da Ceasa no governo Elmano

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

Ibovespa rompe 166 mil e mercado compra a tese de virada política no Brasil

Ao lado de deputados evangélicos, Ciro assume candidatura ao Governo: “Vou cumprir minha obrigação”

Em dez pontos, Guimarães expõe o mapa de riscos do lulismo em ano pré-eleitoral

Brasília e Ceará entram em ebulição com articulação para Camilo na Justiça; Saiba causas e efeitos

Compromisso zero: a fala de Ivo que tensiona a base de Elmano

Governo puxa de volta 30% do Banco do Nordeste: ajuste técnico ou sinal de mudança maior?

Camilo fora do MEC muda o jogo no Ceará e trava, antes da largada, a estratégia de Ciro para 2026

Ari Neto representa o Brasil no EY World Entrepreneur of the Year™️

Hapvida sinaliza sucessão no comando e redesenha cúpula executiva

Movimentos de Rueda em PE e no CE revelam nova lógica do UPb e reconfiguram o jogo político no Ceará

AtlasIntel revela consenso nacional contra o dono do Banco Master e expõe crise de confiança no sistema financeiro

Obtuário: Frank Gehry e o fim de uma era em que a arquitetura acreditava poder mudar cidades

MAIS LIDAS DO DIA

Ler e aprender no mundo virtual; Por Paulo Elpídio

Deu no New York Times: A blindagem silenciosa das vacinas na velhice