Atlas coloca ACM Neto e Jerônimo em empate técnico na Bahia; eleição começa praticamente zerada

COMPARTILHE A NOTÍCIA

Foto: Reprodução

Pesquisa AtlasIntel/A Tarde mostra ACM Neto com 49,2% e Jerônimo Rodrigues com 47,9% no 1º turno. No 2º, a vantagem de Neto é de apenas 0,6 ponto: 49,2% a 48,6%.

A eleição para o Governo da Bahia aparece, pela primeira vez neste levantamento, como uma disputa sem favorito estatístico claro. ACM Neto (União Brasil) e Jerônimo Rodrigues (PT) estão separados por apenas 1,3 ponto percentual no cenário de primeiro turno.

Ronaldo Mansur (PSOL) aparece com 1,2%. Aroldo Félix (UP) e Estevão (DC) não pontuam. Considerando apenas os votos válidos, Neto tem 50% e Jerônimo, 48,7%. Pesquisa Atlas_ATarde – Eleições Bahia 2026 – 260903.pdf

O dado que muda o jogo

O segundo turno praticamente reproduz o empate do primeiro:

* ACM Neto: 49,2%
* Jerônimo Rodrigues: 48,6%
* Branco/nulo: 1,9%
* Não sabe: 0,2%

Nos votos válidos, Neto chega a 50,3%, contra 49,7% de Jerônimo. A diferença é de apenas 0,6 ponto. Pesquisa Atlas_ATarde – Eleições Bahia 2026 – 260903.pdf

Em outras palavras: a Atlas não está mostrando uma eleição encaminhada. Está mostrando uma corrida aberta, na qual pequenas movimentações do eleitorado podem alterar a liderança.

Jerônimo tem um problema — mas não está politicamente derrotado

O dado mais relevante para o governador talvez não esteja na intenção de voto, mas na avaliação de seu governo.

Jerônimo é aprovado por 48% dos baianos e desaprovado por 46%. O saldo é positivo em apenas 2 pontos. Na avaliação qualitativa, 44% consideram seu governo ótimo/bom e 42%, ruim/péssimo. Pesquisa Atlas_ATarde – Eleições Bahia 2026 – 260903.pdf

Mais importante: 48% dizem que Jerônimo merece ser reeleito, enquanto 47,7% afirmam que ele não merece. Ou seja, até a pergunta sobre continuidade reproduz o empate eleitoral. Pesquisa Atlas_ATarde – Eleições Bahia 2026 – 260903.pdf

Por quê isso importa? Porque o governador chega à disputa com um ativo político importante: sua avaliação não é suficientemente negativa para produzir uma onda de mudança.

Segurança é o grande calcanhar de Aquiles

A pesquisa revela uma pista decisiva para a campanha.

Criminalidade é disparadamente o maior problema apontado pelos baianos, com 82%, seguida por acesso à saúde, com 52,3%, e qualidade da educação, com 21,8%. Violência contra a mulher aparece com 19,5%, corrupção com 17,9% e violência policial com 15,8%. Pesquisa Atlas_ATarde – Eleições Bahia 2026 – 260903.pdf

A eleição baiana, portanto, tem um tema central já identificado pelo eleitor: segurança.

Isso cria uma disputa particularmente sensível para Jerônimo, porque a avaliação do governo será inevitavelmente confrontada com a percepção da população sobre criminalidade.

Senado: Rui Costa larga na frente

Na corrida pelas duas vagas ao Senado, o cenário é mais favorável ao grupo governista.

No consolidado dos dois votos:

1. Rui Costa (PT): 28,2%
2. Jaques Wagner (PT): 23,7%
3. João Roma (PL): 18,3%
4. Angelo Coronel (Republicanos): 16%
5. Professora Deliana (PSOL): 2,3%

Nos votos válidos, Rui chega a 31,6%, Wagner a 26,5%, Roma a 20,4% e Coronel a 17,9%. Pesquisa Atlas_ATarde – Eleições Bahia 2026 – 260903.pdf

Há, porém, uma peculiaridade importante: o eleitor baiano terá dois votos para o Senado. No primeiro voto, Rui Costa lidera com 39,3%, enquanto João Roma aparece com 22,2% e Jaques Wagner com 15,4%. No segundo, Wagner assume a dianteira, com 31,9%, seguido por Angelo Coronel (17,8%), Rui Costa (17,1%) e João Roma (14,4%).

Leitura política: Rui e Wagner formam uma dupla muito competitiva, mas João Roma aparece como o principal nome capaz de furar a hegemonia petista.

A Bahia continua sendo território de Lula

Na eleição presidencial, a vantagem de Lula é muito mais larga que a observada na disputa estadual.

No primeiro turno:

* Lula: 52,8%
* Flávio Bolsonaro: 24,4%
* Augusto Cury: 7,5%
* Ronaldo Caiado: 5,5%
* Renan Santos: 4%

Nos votos válidos, Lula chega a 55,7%, contra 25,7% de Flávio Bolsonaro. Pesquisa Atlas_ATarde – Eleições Bahia 2026 – 260903.pdf

No segundo turno, a vantagem lulista é ainda mais expressiva:

* Lula 58,1% x 29% Flávio Bolsonaro
* Lula 56,8% x 33% Ronaldo Caiado
* Lula 57,8% x 28,1% Zema
* Lula 57,6% x 24,4% Renan Santos

Nos votos válidos, Lula chega a 66,7% contra 33,3% de Flávio Bolsonaro.

O paradoxo baiano

É aqui que a pesquisa ganha dimensão nacional.

A Bahia continua fortemente lulista, mas a eleição para governador está empatada.

Esse é o principal desafio político de Jerônimo: transformar a enorme vantagem de Lula no Estado em votos para sua própria candidatura.

Para ACM Neto, ocorre o movimento inverso: converter a força da oposição na eleição estadual sem depender de uma onda nacional pró-direita, já que Flávio Bolsonaro aparece muito atrás de Lula na Bahia.

A rejeição deixa a disputa ainda mais imprevisível

Flávio Bolsonaro lidera com folga a rejeição: 64,1% dizem que não votariam nele de jeito nenhum. Jerônimo aparece com 59,6%, seguido por Jair Bolsonaro (41,5%) e ACM Neto (41,1%). Pesquisa Atlas_ATarde – Eleições Bahia 2026 – 260903.pdf

O dado merece atenção: Jerônimo tem rejeição maior que ACM Neto, embora esteja praticamente empatado na intenção de voto.

Ao mesmo tempo, a imagem positiva do governador é de 48%, contra 46% negativa. ACM Neto tem 45% de imagem positiva e 47% negativa. Pesquisa Atlas_ATarde – Eleições Bahia 2026 – 260903.pdf

O que a Atlas diz sobre a eleição

A eleição baiana está aberta.

ACM Neto aparece numericamente à frente, mas dentro de uma diferença que não permite falar em liderança consolidada. Jerônimo, por sua vez, não está atrás por uma margem capaz de caracterizar desvantagem estrutural.

O governador tem aprovação de 48%, rejeição eleitoral de 59,6% e empate na avaliação sobre merecimento da reeleição. Neto tem vantagem mínima na intenção de voto e também carrega rejeição superior a 40%.

A campanha começa, portanto, em um terreno de alta volatilidade.

E há um elemento que pode decidir a equação: segurança pública. Com 82% dos baianos apontando a criminalidade como o maior problema do Estado, esse tende a ser o principal campo de batalha entre o candidato que representa a continuidade e aquele que tentará vender a mudança.

Serviço

A pesquisa AtlasIntel/A Tarde ouviu 1.804 eleitores da Bahia entre 28 de agosto e 2 de setembro, por recrutamento digital aleatório (Atlas RDR). A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com 95% de confiança. O levantamento está registrado no TSE sob os números BA-08891/2026 e BR-07739/2026.

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

André Fernandes, o bloquinho e a ilusão de conquistar Fortaleza dançando para convertidos

Lula: a vitória de um sobrevivente político diante de um Brasil que mudou

Extensão da votação abre caminho para judicialização do segundo turno; disputa pode chegar ao STF

As pesquisas apontam para Flávio, mas a urna ainda pode contrariar os números

Onde os fracos não têm vez: Datafolha mostra placar com Flávio com 47% e Lula 46%; Nos votos válidos, é 50 a 50

Atlas/Bloomberg: Flávio abre 2,2 pontos sobre Lula

O Brasil que não acabou: a escala 6×1 e a história das mudanças que prometiam o caos

Sócia da Fraport, Lufthansa compra metade da TAP e o Ceará pode ganhar uma nova ponte aérea com a Europa

Cláusula de barreira põe dois federais a mais no colo do PSB de Cid Gomes

Com aplausos, Kátia Abreu expõe incômodo no PT: “Paulistas sem voto” e “menos Janja, mais Alckmin”

Atlas/Focus para presidente no Ceará: Lula amplia vantagem e chega a 60,8%; Flávio tem 28,9%

Atlas/Focus: dobradinha Cid-Luizianne soma 59,6% dos votos válidos para o Senado

MAIS LIDAS DO DIA

Refundação de coisa feita e de um elo perdido; Por Paulo Elpídio

Ambidestro: liderar entre o que funciona e o que precisa mudar e o Terceiro Paraíso; Por Marco Dalpozzo